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USO DO DÍMERO-D NO PROGNÓSTICO DA COVID-19

USO DO DÍMERO-D NO PROGNÓSTICO DA COVID-19

A doença causada pelo vírus SARSCoV-2 foi denominada como Doença por Coronavírus 19 (COVID-19), e declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma Emergência Internacional de Saúde Pública.

Estudos realizados durante a pandemia sugerem que níveis de dímero-D podem ser utilizados como marcador de gravidade e estratificação dos pacientes em casos de COVID-19 que necessitam de hospitalização (1) e, apresentam quadros graves de pneumonia (2), apesar de serem achados comuns nos quadros graves de sepse. A coagulação intravascular disseminada (CIVD) também tem sido descrita em pacientes graves da doença, e observada na maioria dos casos que evoluíram para óbito. O uso de anticoagulantes no tratamento tem sido proposto pelo Journal of Thrombosis and Haemostasis e já utilizado em diversos protocolos da COVID-19, porém ainda não existe comprovação de eficácia por um ensaio clínico mais elaborado. A dosagem de referência usual para o dímero-D (DD) são valores menores que 0,5 mcg/mL. Na COVID-19, elevação dos níveis acima de 1mcg/mL, foi associada à alta mortalidade e a hipercoagulabilidade. A ocorrência de CIVD foi relatada em 71,4% dos pacientes que evoluíram para óbito.
 


No início da cascata de coagulação, a trombina converte o fibrinogênio em monômeros de fibrina compostos pelos domínios E e D e formam o coágulo. Simultaneamente, um organismo inicia a fibrinólise, mediada pela plasmina que cliva o fibrinogênio e a fibrina em produtos da degradação de fibrina (PDFs). A ligação entre os domínios D é resistente a essa degradação e os PDFs que contêm os os dois domínios D são chamados de DÍMEROS-D. Assim, os dímeros-D, são produtos exclusivos da fibrinólise e sua presença é indicativa de que ocorreu formação de coágulo e sua subsequente degradação. Níveis elevados de D-dímeros estão presentes em uma variedade de condições em que o sistema de coagulação foi ativado e utilizados na triagem de casos em suspeita de tromboses e embolismos. A elevação dos níveis séricos do DD não é específica de tromboembolismo venoso (TEV), e está presente em qualquer situação que envolva a formação e a degradação de um trombo, traumas, infecção recente, gestação, insuficiência renal e neoplasias, com alta sensibilidade e baixa especificidade, apresentando assim um significativo valor preditivo negativo.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma das complicações mais comuns na COVID-19, e a sugestão do uso de heparina está em estudo, pois bloqueia a trombina reduzindo a resposta inflamatória. Assim, o uso do DD como prognóstico, pode vir a auxiliar a decisão médica no uso da terapia com anticoagulantes, pois sua elevação parece estar associada a uma inflamação pulmonar intensa, causada pela superregulação de citocinas pró-inflamatórias, que estimulam a fibrinólise intrínseca nos pulmões. Outra propriedade da heparina, está na ação antagonista às histonas, que são liberadas a partir da disfunção endotelial provocada pela invasão do SARS-COV-2, com redução do edema e lesão vascular pulmonar. A capacidade antiviral da heparina também está sendo estudada, pois sua estrutura polianiônica liga-se à várias proteínas, podendo inibir a adesão viral.

Apesar de todos esses indicativos do uso da terapia com heparina e, seu uso em alguns protocolos atuais de tratamento da COVID-19, ainda são necessários novos estudos clínicos para garantir a segurança do seu uso e avaliar o real benefício.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar, em 27/05/2020, alterou na lista de exames de cobertura obrigatória pelos planos de saúde com a inclusão do uso do teste do dímero-D para o diagnóstico da COVID-19, além das indicações já aprovadas de suspeita de trombose e embolia pulmonar.
 

(1) https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30566-3/fulltext

(2) https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jth.14768

http://cnsaude.org.br/comunicado-cnsaude-consegue-inclusao-de-teste-diagnostico-no-rol-de-procedimentos-da-ans/

SYSMEX. The role of the D-dimer test in clinical diagnostics. Julho, 2012.

https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2020/04/58d801e961f64463109881311316e4e661d8a1e865fb7638ad61c0827cd83430.pdf

https://www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/